
Passei 3 semanas observando uma turma do Primeiro Ano do Ensino Médio da rede pública. Apesar da realidade estrutural que todos conhecessem do Ensino Público do país esta era um pouco mais organizada e com recursos melhores. Logo, um ponto positivo.
O que muitas vezes é discutido também é a falta de interesse dos alunos e problemas como evasão e disciplina, no primeiro momento achei os alunos apáticos e não levando muito a sério a máteria, porém após algumas conversas com eles percebi qual era o verdadeiro problema...
A professora!
A primeira aula até que ela passou o conteúdo de uma forma razoavelmente satisfatória - talvez pela minha prensença -, mas ao longo dos dias e da minha interação com os alunos percebi que ela conseguia preencher a aula com chamadas e correções de caderno (estes só recebiam o famoso "visto" para a famosa nota!) e era vista como a professora boazinha que sempre vai da muitas chances, então niguém precisa levar História a sério.
A maior conclusão que cheguei - além dela não ser uma das melhores professoras - foi a de que depois de todos colocarem a culpa em Governo e nos "pobres" alunos o maior culpado daquelas turmas é a forma como leciona a profissional. É muito triste conversar com um grupo de alunos por poucos minutos e conseguir instigar a curiosidade para a matéria e aquela que tem todos os recursos e o dever de fazer isso não faz!
O que me reconforta (um pouco!) é que irei fazer de tudo para que minhas aulas sejam bem diferentes daquelas, porém volta aquele desespero de perceber o potencial dessas turmas e não poder fazer nada para ajudá-los.
Talvez vocês estejam pensando que tudo isso já foi dito e só estou sendo repetitiva, porém o contato direto com essa realidade transforma qualquer pensamento feito, mas não tira o ânimo de tentar mudar, ao menos um pouco, essa realidade e muito menos me vem aquele pensamento de derrrotado em que nada pode ser feito e as coisas serão para sempre assim.
Sempre tive aquele ingênuo objetivo de mudar o Mundo (e quem não tem?) e muitas vezes me perguntei se conseguiria ajudar as pessoas com meu curso (como fui ingênua!) e essa observação me fez ter certeza que terei muito o que oferecer e muito o que mudar para que o conhecimento chegue da melhor forma aos meus alunos e eles possam se apaixonar por História como os meus professores fizeram comigo.
Ainda tenho muita História para contar...
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